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29/08/2006
ÚNICO DETIDO PELOS INCIDENTES NA ESTAÇÃO DE HAEDO
Roberto Canteros, refén de TBA e do governo Kirchner

Por Metaprensa, para Prensa De Frente.

Foto: Indymedia
Por Metaprensa, para Prensa De Frente.
Naquele 1º de novembro Roberto Canteros se levantou da mesma maneira que todos os dias de sua vida de tapeceiro. Tomou uns mates, deu bom dia a sua esposa Maria e seus cinco filhos, e saiu em busca de um trem que não o levaria ao trabalho, mas à prisão. Roberto é o único detido pelos incidentes ocorridos na estação de Haedo. Ou melhor dizendo: um refén da empresa TBA, concessionária da ferrovia Sarmiento, que jamais melhorou seu serviço, apesar dos subsídios que o governo de Nestor Kirchner lhe concedeu 10 dias depois dos acontecimentos que terminaram com três formações incendiadas. Roberto é um tipo simples. O acusam de ter roubado uma arma de uma oficial de polícia, mas não há provas disso, apenas a declaração de cinco militares, os mesmos que o detiveram aquela manhã. “Jamais na minha vida usei nem toquei uma arma. Não gosto e até tenho medo”, disse no programa “Nos mijam e dizem que chove” (AM 530), na penitenciária de Ezeiza.

Esse dia Roberto se dirigia à tapeçaria em que trabalha, em Lomas de Zamora. O trem é o meio de transporte mais econômico para um trabalhador, apesar da odisséia que significa viajar pior que o gado. Aquela manhã tudo andava mal. O tapeceiro deixou passar um trem, mais outro e subiu no terceiro. Devia chegar até Haedo para fazer baldeação com a linha que o levaría até Lomas.

Mas em uma manhã ardente como aquela tudo sairia mal: “O trem em que viajava parou em Castelar, depois em Morón e voltou a parar entre as estações Morón e Haedo, onde estavam os outros trens”.

As pessoas começaram a sair do vagão e ele fez o mesmo para tomar o trem que o levaría ao trabalho. Foi aí quando os usuários da Sarmiento disseram basta. Primeiro uma formação pegou fogo por uma falha técnica. Logo veio o povão, o que acabou com a estação e os trens em chamas.

”Eu fiquei esperando o trem e olhava o que passava com as outras pessoas. Até que avisaram que o serviço havia sido suspenso e decidi voltar para minha casa. Até que aparecem cinco policiais e me prendem”, conta Canteros. “Aí vai mais um”, gritaram. A vida desse trabalhador teria a partir daí um sobressalto de impacto.

Nesse momento começou o pesadelo. Primeiro na delegacia de Morón, onde começaram os maltratos e até teve que escutar que alguém o acusava de ser o “cabeça” de todo o ocorrido. Depois, na Penitenciária de Ezeiza, onde se estando em um módulo de boa conduta, se sente o injusto refúgio.

O juiz que acompanha a causa é Gabriel Castelli, do juizado nº 1 de Morón. O magistrado já fechou as instruções e parece que tudo irá a juízo oral. Há mais de 80 processados pelo acontecimento, entre eles Rodrigo Valdez, José Gutiérrez, José Freddy, Cristian Wenk, Matías Barreto e Julio Gutiérrez, que estiveram presos até 12 de maio e foram liberados pela Câmara de Apelações de San Martín.

Roberto foi mantido na prisão pela absurda acusação de roubo de arma. A defesa está sendo levada adiante pelos advogados da Fundação Investigação e Defesa Legal Argentina (Fidela). Enquanto isso, Maria, a mulher de Canteros, segue sua luta pela liberdade do Marido. “Ele é um grande pai e marido”, conta. Seu companheiro, atrás das grades, sonha em voltar a caminhar pela praça junto com ela e seus filhos. Talvez, quando a justiça dos ricos e da era K decidam sua liberação.



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